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09 maio 2016

EMERGIR


Ano passado eu senti que estava perdendo as rédias da minha vida. Eu passei por uma situação que me colocou em crise emocional. Tudo graças a uma pessoas que nunca foi nada meu, nunca significou nada para mim, uma pessoas que eu nem ao menos conhecia direito!
Se você olhar a situação de fora vai achar que eu estou fazendo drama, que eu estou exagerando, eu acharia   se não fosse comigo. Só quem sabe as consequências de tudo sou eu e minha amiga, que passou pelo mesmo.
Hoje, depois de termos nos afastado da pessoa que nos "afetou", depois de levar um balde de água fria na cara para despertar, olhamos para trás e analisamos tudo o que aconteceu. No processo que eu só posso descrever como de cura, eu chego a conclusão de que eu estava sendo manipulada. Não persuadida. Manipulada.
Nesse processo  eu passei pela fase da tristeza, do ódio, da raiva, do rancor, do nojo e agora sinto que estou experimentando a indiferença, e quero deixar registrado que ela é uma delícia!
Eu me perdi, e tive que cair em um buraco negro de incertezas para poder me encontrar de uma forma que eu nunca havia feito antes. Depois de ter afastado a pessoa da minha vida como se tira um band-adi da ferida, eu entrei em um estado meramente parecido com alguém que está se desintoxicando, eu entrei em desespero, mas não por falta de alguém, não pela pessoa, mas sim por mim mesma. Me perguntava porque eu havia deixado as coisas chegarem àquele ponto, me culpava e ainda me culpo por não ter enxergado desde o início o tipo de pessoa com quem estava convivendo. E pior, por deixar que alguém tão insignificante e inseguro me atingisse dessa forma.

Existe nessa Terra alguns males que vem para o bem, esse foi um deles. Após passar meses me perguntando quem eu sou, o que eu queria, para onde estava indo e o que tinha feito de errado, eu finalmente me vejo no caminho certo.



É como ficar girando em um furacão, quando ele cessa está tudo destruído, você está zonza, enjoada e confusa, e então você balança a cabeça, se recompõe e encontra uma trilha de volta.
Nesse caminho árduo eu ainda me vejo sendo alvo de fofocas de algumas pessoas, coisas aleatórias, pessoas aleatórias, que mal sabem meu nome. As vezes é dolorido perceber isso quando você nunca foi motivo de fofoca. Mas isso é só mais uma coisa para me fortalecer.
De queda o ocorrido por coincidência ou consequência, me levou direto para a auto-aceitação. Estranho, depois de toda confusão e culpa você acabar se amando ainda mais. E olha que eu tentava isso a algum tempo, não é fácil, nada fácil, é tão difícil quanto descobrir quem você é, mas agora eu sei que não é impossível e eu ainda tenho muita reforma interior para fazer.
Eu tenho colocado, aos poucos tudo no eixo, e estou amando me conhecer, mudar, melhorar, evoluir, testar limites e sinto que isso é um estado de espírito permanente em nossas vidas. Eu não quero deixar que a rotina, pessoas rasas, dificuldades e o medo façam com que eu me desatente de mim  novamente.
Eu tenho me amado e sorrido de uma forma que o mundo nunca me viu. Eu caminho e me pego sorrindo com uma ideia, gargalhando com um livro, me arrepiando com minhas músicas e me inspirando cada vez mais com o tudo a minha volta. E eu não quero parar.
Apesar disso eu  decidi que não vou agradecer à pessoa por ter me feito chegar até aqui, eu só agradeço ao universo pelos efeitos cicatrizantes e dizer a mim mesma que me orgulho muito da minha capacidade.
Eu só quero dizer para você que se em algum momento você se perder, torne isso a melhor experiência da sua vida, use isso ao seu favor, como sua arma, mergulhe na profundidade e complexidade dos seu sentimentos, permita-se afundar, porque quando você retornar à superfície vai experimentar um ar de outro mundo.


Como diz a diva Pitty : "O que sobra é cicatriz
A sustentação é que a manhã já vem
Logo mais a manhã já vem
Chega dessa pele, é hora de trocar"

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