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16 setembro 2015

Quando te definem pelo que você lê

A Saga Crepúsculo completa essa semana 10 anos! Pois é, estou ficando velha. Meu box com os 4 livros ainda repousa imponente em minha estante, por vezes empoeirado. Gosto de olhar de vez em quando, abrir as páginas, sentir o cheiro, não de livro novo, mas de história, gosto de ler aquelas páginas que eu marquei e sentir uma nostalgia que me dá borboletas no estômago, quase como se eu estivesse apaixonada novamente.



Não ando pensando em relê-los, pois na época em que os ganhei, me recordo de ter lido cada um por no mínimo 6 vezes, os filmes então, devo ter assistido umas 14 vezes.
Quando penso nos livros de Stephenie eu sou lançada ao início da minha adolescência, nem preciso lhes dizer que essas leituras me marcaram, e marcaram muito, e não foi somente os suspiros de uma jovem que entrava em contato pela primeira vez com romance, foram também o início de um debate pessoal.
Eu era ridicularizada por gostar daquele universo, que por muito tempo se tornou só meu, meus coleguinhas ofendiam todos os personagens que eu gostava tanto, a internet lançou vários booktubers que espancava minha querida série de uma forma tão agressiva que eu não poderia deixar de sentir raiva.  
Ao longo dos meses fui aceitando que o mundo era dividido em 3 partes, os que amavam Crepúsculo, os que odiava e os que nem conheciam, fui aceitando as crítica de forma menos pessoal, mas ao mesmo tempo fui escondendo meu sentimento pelos livros, fui me trancando, me encurralando, tendo liberdade somente quando estava no meu quarto, relendo pelo milésima vez as primeiras páginas do 1° livro.
Até que já não chorava mais lendo Lua Nova, não suspirava mais lendo Eclipse e nem sentia angústia das páginas sofridas de Amanhecer, e para resgatar aqueles sentimentos me arrisquei em novas aventuras, que pertenciam a outras páginas. 
Em meio a tantos meninos que me rodeavam e me ofendiam pelo meu gosto literário, teve um que leu todos os livros, assistiu todos os filmes e ouviu todas aquelas músicas só para tentar me entende, só para estreitar os laços entre nós, para ter o que conversar. Ele entendeu o quanto aquela garotinha era frágil e ingênua, e entendeu que mesmo assim ele estava se apaixonando por ela, e eu por ele.
Hoje eu vejo os pontos negativos do primeiro best seller da minha vida, vejo todos os defeitos dos filmes e vejo todos os pontos fracos dos personagens, vejo que aqueles não eram os melhores livros da minha vida, nem meus favoritos, mas com certeza foram os que mais me afetaram de todas as formas possíveis.
Ainda converso com aquele menino que leu por minha causa, sobre os livros, dou risadas junto com ele do meu fanatismo e do meu péssimo gosto, mas nós dois sabemos, em confidência, que naquela mesma época nasceu o primeiro amor para os dois, um amor que perpetua até hoje. E porque não dizer que aquela saga nos uniu, ou pelo menos contribuiu?!



Apesar de você provavelmente achar Crepúsculo um livro fraco, de escrita mesquinha, de absurdos sobrenaturais, de adolescentes cheios de hormônios que tiram a camisa o tempo todo, de um cansativo triângulo amoroso, de uma personagem sem graça, de machismo e várias outras coisas. Para mim foi um romance avassalador, foi um livro sobre amizade, lealdade e família, foi um livro que me incentivou a amadurecer, e aprender o quanto as pessoas podem ser estranhas e legais, ele me apresentou várias palavras novas e rendeu os filmes com as melhor trilha sonora ever!
Crepúsculo foi que me incentivou a gostar de livros, e hoje eu leio um pouco de tudo, assim como muitos jovens, começam com livros adolescente e não param mais, e são esses jovens que estão tornando essa uma das gerações que tem o maior potencial para fazer de nós, ou a próxima, a geração que mais lê! E ler é agregar conhecimento <3
Então se você é muito fã de algum livro, e as pessoas escolhem isso para apontar como defeito, saiba que você não está sozinha, e que um dia você pode olhar para trás e ver que aquela história nem era lá essas coisas, mas que te proporcionou uma época INCRÍVEL que foi a maior aventura da sua vida e que faz parte de quem você é e de como você escreveu sua história até aqui.
Vale lembrar que qualquer leitura é válida, todas as páginas, seja de qual gênero for, são capazes de nos ensinar algo.
Então não julgue alguém pelo livro que ela lê, pois os dois podem ter uma fabulosa história escondida.

2 comentários:

  1. Disse tudo, Babí!

    Com toda certeza toda leitura contribui em algo e não é o que lemos que nos limita e sim o que não lemos.
    Quase ninguém vai desenvolver o amor pela leitura começando pelos clássicos de 50 anos atrás, se for, é uma exceção e não a regra. A maioria de nós começa com os best sellers mesmo, as coleções românticas que nos arrancam suspiros e nos fazem sonhar com um amor como aqueles.

    Já li (e reli) toda a saga Crepúsculo e, apesar de não ser a minha favorita, gosto bastante do jeito como a autora o escreveu, com seus sentimentos tão profundos.
    O escritor pelo qual sempre escuto críticas é Nicholas Sparks! Quem diria que em um curso como o de Letras tanta gente torceria o nariz para os livros só por serem "água com açúcar"?
    Mas eu leio, com orgulho... ostento os livros pelos corredores da faculdade, inclusive... Cheia de mim!

    Que história fofa, aliás... Unidos pela leitura <3

    Beijão!

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  2. POis é, depois de tantos anos eu encontrei pessoas com a mesma história o parecida com a minha, ai me senti mais segura para pensar no assunto.
    Continue lendo e ostentando Nicholas, aliás é algo que tive coragem só no início, depois eu desisti.
    Então, apesar de ele não ler mais nenhum livro, é louco por HQs, fazer o que né? Não podemos ganhar todas.
    beijos

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